Mensalão “DAY AFTER”
Ao contrário de muitas vozes
descrentes, o supremo, condenou todos os poderosos participantes do mensalão.
Resta ver as penas que lhes serão atribuídas. Mas só com a condenação dos réus,
a curva descendente da moral política brasileira, certamente mudou sua
inflexão. O Brasil jamais será o mesmo! O Brasil daqui por diante será um país
melhor de se viver e aos poucos ganhará o respeito internacional nas cortes
mundiais. O processo será longo e lento
mas seguirá sempre em frente. Quem ouviu a clareza dos conceitos jurídicos e
filosóficos que embasaram a decisão do colégio dos magistrados, com a
vergonhosa exceção de dois deles, teve momentos de orgulho tanto da certeza da
erudição sem empáfia, desses magistrados como também da firmeza no basta que
agora foi dado a bandalheira negocial que campeia nas relações políticas de
nosso país.
O ser humano é criança, passa a
adolescência e torna-se adulto. Na fase de transição entre a adolescência e a
fase adulta, ninguém escapa de achar que pode mudar o mundo e só ele sabe
exatamente o que fazer. Com essa crença, comete muitos erros e age
inadvertidamente causando transtornos a si e aos próximos. A tomada de consciência que conduz a
reflexão, ao assumir ser mais prudente e ter uma dose muito maior de humildade,
nunca acontece sem traumas e sofrimentos. Mas quando ocorre é um verdadeiro
renascer.
No meu caso, isso se deu, quando
apostando mais na perseverança, já que havia mudado de empregos com alguma
frequência, resolvi permanecer na empresa que me encontrava naquele momento.
Disse para mim mesmo, tenho que apostar um pouco no tempo.
Foi quando, baseado ainda na
realidade psicológica, entre a adolescência e a fase adulta, tomei deliberações
pessoais no âmbito da empresa que contrariavam as normas administrativas
vigentes.
Fui chamado por um diretor que
secamente mandou-me sentar e olhando nos meus olhos sem pestanejar e disse:
Você quer continuar na empresa ou quer que eu o demita agora?
O mundo rodou, fiquei
literalmente tonto de verdade e nem percebia o que se estava passando. Foi
quando o diretor complementou: Você tomou tal deliberação, passando por cima
das normas estabelecidas para todo o empreendimento. E em seguida me perguntou, você acha que
qualquer empreendimento, poderia funcionar se cada um fizesse aquilo que lhe
der na cabeça? Respondi, é claro que não. Quero continuar na empresa!
Aí ele me disse, desfaça agora o
que você fez e vá trabalhar. E assim me despachou.
Sofri, chorei, engoli meu tolo
orgulho, comentei com amigos e só muito mais tarde, meses depois, compreendi
meu erro e adquiri paz e maturidade. E dai por diante sempre fui mais feliz sem
que isso me impedisse de mudar questões, ser participativo nas decisões, porém
fazendo isso via diálogo, sendo mais tolerante e exercendo melhor minha
inteligência.
A isso um amigo mais velho me
disse. É Leandro, esse seu diretor foi seu melhor amigo ao quebrar-lhe a
espinha do orgulho que construímos nessa fase da vida. Esse foi um dos seus
melhores amigos. Coisa que hoje concordo e emocionado lembro, agora com
carinho, aquele momento sofrido da “quebra da espinha do orgulho”, foi naquele
momento que descobri o caminho da maturidade. Estado que traz realmente a
felicidade na vida.
Acho que com o Supremo Tribunal
Federal, através do seu corpo majoritário de juízes, teve sua “espinha”
quebrada, pela consciência que tomaram, do choque que tomaram, quando
perceberam que o “MENSALÃO” poderia ser a conquista da tão sonhada maturidade
jurídica brasileira que agora dispõe de um norte claro como um dia de sol, para
servir de exemplo a nossa sociedade.
Cabe aqui um registro importante
e inesquecível do papel decisivo da imprensa no desencadeamento de todo o
processo. A liberdade de imprensa é uma única garantia, até pela sua
pluralidade e independência, que a sociedade tem para ter sua liberdade
assegurada.
Parabéns ao STF e a imprensa
nacional!