sábado, 20 de outubro de 2012


Mensalão “DAY AFTER”
Ao contrário de muitas vozes descrentes, o supremo, condenou todos os poderosos participantes do mensalão. Resta ver as penas que lhes serão atribuídas. Mas só com a condenação dos réus, a curva descendente da moral política brasileira, certamente mudou sua inflexão. O Brasil jamais será o mesmo! O Brasil daqui por diante será um país melhor de se viver e aos poucos ganhará o respeito internacional nas cortes mundiais. O processo será longo  e lento mas seguirá sempre em frente. Quem ouviu a clareza dos conceitos jurídicos e filosóficos que embasaram a decisão do colégio dos magistrados, com a vergonhosa exceção de dois deles, teve momentos de orgulho tanto da certeza da erudição sem empáfia, desses magistrados como também da firmeza no basta que agora foi dado a bandalheira negocial que campeia nas relações políticas de nosso país.
O ser humano é criança, passa a adolescência e torna-se adulto. Na fase de transição entre a adolescência e a fase adulta, ninguém escapa de achar que pode mudar o mundo e só ele sabe exatamente o que fazer. Com essa crença, comete muitos erros e age inadvertidamente causando transtornos a si e aos próximos.  A tomada de consciência que conduz a reflexão, ao assumir ser mais prudente e ter uma dose muito maior de humildade, nunca acontece sem traumas e sofrimentos. Mas quando ocorre é um verdadeiro renascer.
No meu caso, isso se deu, quando apostando mais na perseverança, já que havia mudado de empregos com alguma frequência, resolvi permanecer na empresa que me encontrava naquele momento. Disse para mim mesmo, tenho que apostar um pouco no tempo.
Foi quando, baseado ainda na realidade psicológica, entre a adolescência e a fase adulta, tomei deliberações pessoais no âmbito da empresa que contrariavam as normas administrativas vigentes.
Fui chamado por um diretor que secamente mandou-me sentar e olhando nos meus olhos sem pestanejar e disse: Você quer continuar na empresa ou quer que eu o demita agora?
O mundo rodou, fiquei literalmente tonto de verdade e nem percebia o que se estava passando. Foi quando o diretor complementou: Você tomou tal deliberação, passando por cima das normas estabelecidas para todo o empreendimento.  E em seguida me perguntou, você acha que qualquer empreendimento, poderia funcionar se cada um fizesse aquilo que lhe der na cabeça? Respondi, é claro que não. Quero continuar na empresa!
Aí ele me disse, desfaça agora o que você fez e vá trabalhar. E assim me despachou.
Sofri, chorei, engoli meu tolo orgulho, comentei com amigos e só muito mais tarde, meses depois, compreendi meu erro e adquiri paz e maturidade. E dai por diante sempre fui mais feliz sem que isso me impedisse de mudar questões, ser participativo nas decisões, porém fazendo isso via diálogo, sendo mais tolerante e exercendo melhor minha inteligência.
A isso um amigo mais velho me disse. É Leandro, esse seu diretor foi seu melhor amigo ao quebrar-lhe a espinha do orgulho que construímos nessa fase da vida. Esse foi um dos seus melhores amigos. Coisa que hoje concordo e emocionado lembro, agora com carinho, aquele momento sofrido da “quebra da espinha do orgulho”, foi naquele momento que descobri o caminho da maturidade. Estado que traz realmente a felicidade na vida.
Acho que com o Supremo Tribunal Federal, através do seu corpo majoritário de juízes, teve sua “espinha” quebrada, pela consciência que tomaram, do choque que tomaram, quando perceberam que o “MENSALÃO” poderia ser a conquista da tão sonhada maturidade jurídica brasileira que agora dispõe de um norte claro como um dia de sol, para servir de exemplo a nossa sociedade.
Cabe aqui um registro importante e inesquecível do papel decisivo da imprensa no desencadeamento de todo o processo. A liberdade de imprensa é uma única garantia, até pela sua pluralidade e independência, que a sociedade tem para ter sua liberdade assegurada.
Parabéns ao STF e a imprensa nacional! 

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