terça-feira, 21 de agosto de 2012

Recife, 21 de Agosto de 2.012

Segundo artigo,

Um assunto leve, porém muito pernicioso.

A nossa estrutura eleitoral é composta dos seguintes níveis de atuação dos políticos: Vereadores, Prefeitos, Deputados Estaduais, Deputados Estaduais, Deputados Federais, Senadores e Presidente da República. São sete níveis de poder. A formação dos quadros a cada eleição, acontece sempre da mesma forma. Os atuais prefeitos reúne seus candidatos a vereadores e faz com eles as "alianças" para a busca de votos. O prefeito que sabe fazer essa composição nunca deixa de se eleger, ou de eleger seu sucessor.

O papel do vereador, apesar de ser desdenhado pelos políticos de uma maneira geral, excetua-se talvez apenas as capitais e as grandes cidades, tem uma importância decisiva na formação da estrutura política do país.

O Brasil, a menos de algum erro pequeno, possue 5.561 municípios, segundo o IBGE. Considerando que em cada eleição tenhamos por cada cidade 150 candidatos a vereador, em todo Brasil teremos 834.150 pessoas lutando, essa é a palavra correta, por um mandato. Pois bem, essas pessoas, são encarregadas de buscar o eleitor porta à porta. É um trabalho extenuante, que é realizado a cada quatro anos. São pessoas, na sua grande maioria, pobres e incultas. Qual o rico brasileiro que se disporia a sair de casa em casa pedindo voto e concorrendo lado a lado com esse povo. Pode haver, não nego, mas todos concordaremos que é uma parcela muito pequena, pois vereador, fora essa importância de servir de base eleitoral, tem realmente pouco poder de fogo no exercício de seu mandato. As câmaras de vereadores são muito pulverizadas politicamente. Quem manda e decide geralmente é o prefeito. E esse sim, o prefeito, é a base do nosso sistema eleitoral. É o pilar central da formação da estrutura de poder no País. Mas disso falaremos em outra oportunidade.

Pois bem, os vereadores, depois de exaustivo trabalho de garimpo de votos, conseguem se eleger e então teremos, considerando 12 vereadores por município, cerca de  66.732 vereadores espalhados por esse Brasil. Como geralmente esses vereadores não têm nada para fazer, além de duas sessões semanais na câmara e o resto é tempo livre para fazer política, eles passam a cuidar de seus interesses pessoais e entre eles a sua reeleição que espera perpetuar.

E agora entro no ponto central que desejo enfocar. A maior parte desses vereadores, encontrou uma maneira ilegal de se manter conhecido na sua cidade, com um custo muito pequeno e procedendo a uma agressão legal, de usar veículos para transporte de pessoas, para hospitais, passeios turísticos, passeios escolares e vai por aí assim.

Esse transporte é ilegal e perigoso. Os veículos de transporte coletivo têm regras a cumprir. A primeira de todas diz respeito a segurança. A segunda regra é que esse transporte é uma concessão pública e portanto privativa de empresas ou de órgãos devidamente autorizados e vistoriados para operar dentro de determinados padrões e com taxas a pagar.

Além do mais, cria uma dependência perniciosa e imoral do cidadão para com aquele vereador que termina sendo uma compra de voto disfarçada. Tira o vereador da sua função precípua de fiscalizar as ações do prefeito, propor leis municipais em defesa do cidadão e uma delas seria a de proibir essa tal prática.

Imagine a distorção que cria esse vereador ao autorizar o tráfego do seu veículo nas estradas ao passar em um posto da polícia federal? E isso ocorre na maior!  O Policial ao saber que o carro é do vereador A ou B cheio de crianças, ao invés de cumprir o seu papel, ao ver o carro com crianças doente ou indo alegres para um passeio que nunca fizeram antes, fica é amigo do vereador e aí o Brasil mostra a cara, criando essas distorções legais, corrompendo a linha moral do comportamento em sociedade.

Este não pode ser considerado um discurso moralista.  Ao contrário. Cessando essa prática, cada vez mais o povo irá exigir do seu dirigente que lhe dê assistência devida. Ambulância e transporte para a população é dever do estado. Essa prática precisa acabar, pois pela quantidade de ações que derivam dela, o exemplo deletério e abrangente é corrompedor e prejudica sobremaneira o desejo da maioria de criar um país realmente desenvolvido!


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